sexta-feira, 8 de abril de 2011

"Rebelde" está no caminho certo na Record


Com pouco menos de quinze capítulos exibidos, já se pode tirar algumas conclusões acerca do começo de "Rebelde", "adaptação da adaptação" que a Record faz em parceira com a Televisa. Até então, pelo que foi ao ar, é perceptível que, apesar de alguns erros, o folhetim escrito por Margareth Boury se mostra como um grande acerto e dotado de várias qualidades. Sob direção de Ivan Zettel, responsável por "Luz do Sol" e por alguns episódios de "A Lei e o Crime", "Rebelde" reúne seis protagonistas, cada um com sua história e objetivo de vida e unidos pela música. O primeiro capítulo de "Rebelde" pode ter causado certa estranheza ao telespectador da Record. Não houve incêndios, tiroteios ou perseguições, o que era praticamente rotina nas estreias da emissora. De primeira vista, desanimador. Faltava alguma coisa. Porém no decorrer dos capítulos foi mostrado que não faltava nada. O elenco foi bem escolhido e a história começava a ganhar forma e jeito de novela. Quem assistiu e lembra de "Alta Estação" facilmente consegue compará-la a "Rebelde". Embora aproximadamente R$ 30 milhões separam o orçamento das duas - R$ 10 milhões para "Alta Estação" contra pouco mais de R$ 40 milhões de "Rebelde" - a autora é a mesma. Margareth usa muito bem a sua vocação para um texto cômico, engraçado, leve e que foge do didatismo das outras tramas. Algumas "sacadas" são as mesmas de "Alta Estação" e totalmente diferente das de "Rebelde" no México. Aliás, quem procurou "Rebelde" pela experiência que teve com a versão mexicana deve ter se desanimado, pois a cada capítulo percebe-se a diferença que as duas tem. Entre os destaques positivos da novela, além do texto, pode-se dizer o elenco e alguns atores em específico. Lana Rodes, da primeira temporada de "Ídolos" no SBT e que fez parte do elenco de "Alta Estação", é protagonista de um dos momentos mais engraçados do folhetim. Beck, ao lado de Vicente - papel de Eduardo Pires, que também foi o Vicente de "Luz do Sol", são a melhor parte da Vila Lene. Por outro lado, nem tudo é ponto positivo para "Rebelde". A mesma Vila Lene, de Vicente e Becky, ainda não deslanchou. O bar, a garota com mania de limpeza, o papagaio, o núcleo dos pré-adolescentes...enfim, é possível que se desenvolva no decorrer dos próximos capítulos, mas é uma parte que ainda não é das melhores - e por uma infeliz coincidência, é a parte que mais foi "abrasileirada". A cenografia e a produção geral de "Rebelde" também não empolgam como deveriam pelo investimento que teve. Alguns cenários são escuros e repetem praticamente a mesma estética de outras novelas, como "Ribeirão do Tempo". A cidade cenográfica é artificial e perde feio do projeto feito para a trama de Marcílio Moraes. As fachadas nem sempre estão em harmonia com o cenário que é apresentado, como acontece em vários dos cenários que compõe a escola. E falando na escola, a mesma parece um resort e o seu sistema de internato prestigiado ainda está muito longe do cotidiano, ou pelo menos, do conhecimento da maioria dos brasileiros. Já a produção também não é das melhores que a Record fez. Ainda está atrás de "Bela, a Feia", uma das melhores novelas já produzidas pela Record na questão técnica. Além de perder para a trama de Gisele Joras na cenografia, a diferença de externas é gritante. São raríssimas as cenas de "Rebelde" feitas fora do internato, da cidade cenográfica e dos cenários. Claro, há reduções imensas no custo, mas deixa a produção mais pobre. Edson Spinello soube explorar de forma bem melhor as belezas do Rio de Janeiro nas três novelas que dirigiu e soube aproveitar o investimento a mais feito pela Televisa em "Bela, a Feia". Apesar de alguns erros e acertos, "Rebelde" tem um saldo bem positivo. A novela elevou os índices de audiência da Record em São Paulo e fez decolar os do Rio, Belo Horizonte, Brasília, Florianópolis, Fortaleza, Curitiba. O crescimento é nacional. Os índices só mostram que a Record jamais deveria ter abandonado a faixa das 19h para colocar suas novelas batendo com as novelas das nove da Globo e ao mesmo tempo investir em maratonas jornalísticas como o "SP Record". O desaquecimento que a dramaturgia da emissora passou nos últimos meses deve ter servido de lição para o planejamento futuro. E até agora percebe-se que o comportamento dos diretores é diferente. Antes de "Rebelde" estrear, por exemplo, já se sabia que será Gustavo Reiz o autor da novela substituta. E bem antes de "Vidas em Jogo" estrear, já se fala até mesmo em escalação de elenco de "Navegantes", novela de Lauro César Muniz que substituirá "Vidas em Jogo". A Record voltou ao caminho certo.

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